Polêmicas
à parte, vamos direto ao assunto.
Alfabetizar
não é nada mais, nada menos que ensinar a ler e escrever. Simples assim.
Ler
é basicamente identificar uma palavra. Segundo José Morais[1]
a especificidade da alfabetização está em decodificar, ou seja, extrair a
pronúncia ou o sentido de uma palavra a partir dos sinais gráficos (ler) e, no
sentido inverso, codificar, transformar em sinais gráficos os sons
correspondentes a uma palavra (escrever).
Então,
para aprender a ler e escrever o aluno
precisa relacionar as letras com os sons que elas representam e vice versa,
para codificar ou para decodificar, essa é a especificidade da alfabetização. Concluindo:
alfabetização é a apropriação do código escrito.
Segundo
Magda Soares, a
parte específica do processo de aprender a ler e a escrever é aprender as relações
entre fonemas e grafemas, para codificar e decodificar. Isso envolve também uma
série de aspectos técnicos como: aprender a segurar num lápis, aprender que se
escreve de cima para baixo e da esquerda para direita, etc.
Porém, alfabetizar
não é apenas ensinar a codificar e decodificar. Além dessas competências, o
professor alfabetizador ensina também seu aluno a pensar e refletir sobre o que
acontece dentro da palavra, isto é, fazer a análise dos segmentos sonoros da
palavra. Assim, a apropriação do sistema alfabético de escrita se dá de maneira
significativa.
A consciência
fonológica, ou seja, a habilidade metalinguística de tomada de consciência de
que a língua falada pode ser
segmentada em unidades distintas, ou seja, que a frase pode ser segmentada em
palavras, as palavras em sílabas e as sílabas em fonemas e de que essas mesmas
unidades repetem-se em diferentes palavras faladas; bem como a consciência
fonêmica, que é uma parte mais refinada da consciência fonológica e se refere
às relações entre grafemas e fonemas, são competências fundamentais para que
ocorra a alfabetização.
Ao desenvolver a consciência fonêmica o aluno
atinge o nível alfabético de escrita e dá um grande avanço no processo de
alfabetização. Mas, ainda não está alfabetizado.
Pode
ser considerado alfabetizado o aluno que lê um texto simples, escreve um texto
simples, entende o que lê e entende o que escreve.
Entender
o que lê (sozinho) e aprender a partir daí, inserir-se na cultura letrada,
utilizar-se das práticas de leitura, escrita e oralidade para caminhar e
explorar o mundo, usar a leitura, a escrita e a capacidade de expressão oral
como ferramentas para mudar sua realidade, é o que dizemos Letramento.
Ao
ingressar na escola, o aluno já traz consigo uma bagagem, maior ou menor,
segundo seu meio social, que lhe proporcione uma leitura de mundo. Ele necessita agora apropriar-se da leitura da palavra,
compreender seu significado e dar-lhe força. Aí aquela bagagem vai sendo
enriquecida a cada nova palavra, novo significado e nova força.
O
Letramento se inicia no momento em que o sujeito ingressa no mundo e se
relaciona com seus iguais através das expressões culturais, toma força quando
este sujeito chega à escola e se apropria da palavra e se aperfeiçoa à medida
que avança nas práticas que a leitura lhe proporciona. Letramento não tem fim.
Quanto mais se lê, mais se aprende e se transforma.
Alfabetização
é um processo que se inicia na escola, ainda na Educação Infantil e se encerra
quando o aluno se apropria daquelas competências já descritas acima.
Alfabetizar
letrando não significa que Alfabetização e Letramento sejam a mesma coisa. A
alfabetização é um momento do letramento. Não se esgota na decodificação, pois é
esse momento que vai definir como (ou se) o aluno conseguirá movimentar-se no
mundo letrado e fazer seu próprio caminho.
O
professor alfabetizador ensina seu aluno a ler e escrever desenvolvendo a reflexão
metalinguística, mostra-lhe os caminhos da leitura, enriquecendo seu
vocabulário e ensinado-o estratégias de compreensão e uso da metacognição. Seu
trabalho não se encerra com o ensino da decodificação, mas ele não pula esse
passo, pois sabe que se seu aluno deve chegar além das montanhas, antes ele
precisa passar por elas.
O
professor não perde o foco do objetivo, que é fazer de seu aluno um leitor
autônomo. Porém ele sabe que para trilhar todo o caminho, o primeiro passo é
essencial, que para ser um leitor autônomo seu aluno precisa antes aprender a
ler.
[1]
Prof. José
Morais: Português, professor da
Universidade Livre de Bruxelas. Atualmente consultor do governo de Portugal
para questões de Alfabetização – Programas de Ensino e Avaliação
Muito boa as informações contidas no texto.
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