quarta-feira, 16 de abril de 2014

Autonomia e Aprendizagem

Na linguagem comum, autonomia significa o direito do indivíduo ou grupo de governar-se a si mesmo. Na teoria de Piaget, entretanto, autonomia significa não apenas o direito, mas a também a capacidade de governar-se a si mesmo, tanto moral como intelectualmente.
Segundo Piaget, autonomia significa a capacidade de decidir por si próprio entre certo e errado no campo moral, e entre verdade e inverdade no campo intelectual, levando em conta fatores relevantes independentes de recompensa ou punição.
Autonomia é o oposto de heteronomia. Pessoas heterônomas são governadas por outra, na medida em que são incapazes de fazer julgamentos por si próprios.

Autonomia Intelectual

Na esfera intelectual, também, autonomia significa a capacidade de governar a si próprio. Um exemplo importante de autonomia intelectual é Copérnico que desenvolveu a teoria heliocêntrica quando todos acreditavam que o sol girava em torno da terra. Contra todas as críticas e contra todos aqueles que o ridicularizavam, ele foi suficientemente autônomo para permanecer convencido da verdade de sua própria ideia.
Uma pessoa intelectualmente heterônoma, ao contrário, acredita inquestionavelmente naquilo que lhe é dito, incluindo conclusões, slogans e propagandas ilógicas.
Outro ponto abordado no trabalho é a questão da autonomia do sujeito que, segundo Vigotski, apoia-se em três elementos. Primeiro, a relação entre o indivíduo e sua cultura. Cultura pensada como algo em constante processo de recriação e reinterpretação de conceitos e significados.
Em segundo lugar a história particular de cada indivíduo. E por último, a natureza das funções psicológicas superiores que seriam a consciência que o homem adquire de seus comportamentos e a capacidade de controlá-los.
Na teoria de Piaget a autonomia do sujeito é enfocada a partir de dois pontos relacionados à razão. O primeiro diz respeito à construção da razão, fruto da abstração reflexiva, ou seja, do esforço que o sujeito faz para pensar seu próprio pensar e agir. O segundo ponto refere-se à função da razão.
Porém, de acordo com Piaget, para que haja uma real conquista da autonomia, o sujeito necessita usufruir das relações de cooperação. As relações de coerção roubam das crianças a possibilidade de se emanciparem intelectualmente.
Sob o ponto de vista walloniano a conquista da autonomia passeia entre os limites colocados pela biologia e pela história humana, isto é, oscila entre o "inconsciente biológico e o inconsciente social”. O sujeito então está preso às suas estruturas biológicas e sua conjuntura histórica.
Infelizmente os alunos não são encorajados a pensar autonomamente na escola. Os professores usam a recompensa e a punição na esfera intelectual, também, para conseguir que deem respostas "corretas".
Já na 1ª série, muitos alunos aprenderam a desconfiar dos próprios pensamentos. Aqueles que são desencorajados a pensar crítica e autonomamente construirão menos conhecimento, com o decorrer do tempo, do que aqueles que são confiantes e realizam seus próprios pensamentos.
Um exemplo deste processo pode ser observado na correção de exercícios ou provas de matemática da 1ª série. Se um aluno escreve "4 + 4 = 7", a maioria dos professores simplesmente marca esta resposta como errada e não se dão ao trabalho de tentar descobrir porque o aluno chegou a esse resultado e nem mesmo lhe dá a chance de explicar.
O que resulta deste tipo de postura é um número cada vez maior de crianças incapazes de expor seus argumentos e defender seus pontos de vista. Passeando por uma sala de aula de 1ª série (ou mesmo de séries mais avançadas), enquanto as crianças trabalham na resolução de exercícios, se perguntarmos a alguma delas como chegou àquela resposta, a reação dela será a de apagar o que tenha escrito, mesmo que a resposta esteja perfeitamente correta.

Implicações educacionais

A figura abaixo representa nossa interpretação de educação e autonomia, em relação aos objetivos da maioria dos educadores e do público hoje. A parte sombreada representa "os objetivos da maioria dos educadores e do público", incluindo os objetivos não pretendidos que resultaram na memorização de palavras, fórmulas e conceitos apenas para passar nas provas e que foram esquecidas depois. A parte sombreada também inclui a heteronomia moral que a escola reforça com recompensa, punição e regras prontas.
  

 Na intersecção entre os dois círculos estão as coisas que realmente aprendemos e não esquecemos. Nossa capacidade de ler e escrever, de resolver exercícios de aritmética, de ler mapas, gráficos ou situar eventos na história são exemplos do que aprendemos na escola e não esquecemos após estudarmos para as provas. Quando a autonomia moral e intelectual são o objetivo, os educadores se esforçam para aumentar a área de sobreposição entre os dois círculos.

Bibliografia

CHIAVENATO, I.  Teoria Geral da Administração, v 2, São Paulo, Atlas
COSTA, Dóris Anita Freire. Fracasso escolar: Diferença ou Deficiência? Psicopedagogia On line, São Paulo. Disponível em:  <http:// www.psicopedagogia.com.br/entrevistas>  Outubro 2003
GUALAZZI, Abordagem Comportamental da Administração, http://www.unimep.br/
MASLOW, A. Motivation and Personality, 2nd ed., Harper & Row, 1970.
NORWOOD, G. Maslow's Hierarchy of Needs, http://www.connect.net/georgen/maslow.htm, Junho, 1996.
PISANDELLI, G. M. Dificuldades de Aprendizagem: Conseqüência do Despreparo dos Professores? Psicopedagogia On line, São Paulo. Disponível em:  <http:// www.psicopedagogia.com.br/artigos>  Setembro 2003
PISANDELLI, G. M. A Teoria de Maslow, e sua relação com a educação de adultos Psicopedagogia On line, São Paulo. Disponível em:  <http:// www.psicopedagogia.com.br/artigos>  0utubro 2003
VIGOTSKI, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

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