Na linguagem comum, autonomia significa o direito do indivíduo ou grupo
de governar-se a si mesmo. Na teoria de Piaget, entretanto, autonomia significa
não apenas o direito, mas a também a capacidade de governar-se a si mesmo,
tanto moral como intelectualmente.
Segundo Piaget, autonomia significa a capacidade de decidir por si
próprio entre certo e errado no campo moral, e entre verdade e inverdade no
campo intelectual, levando em conta fatores relevantes independentes de
recompensa ou punição.
Autonomia é o oposto de heteronomia. Pessoas heterônomas são governadas
por outra, na medida em que são incapazes de fazer julgamentos por si próprios.
Autonomia Intelectual
Autonomia Intelectual
Na esfera intelectual, também, autonomia significa a capacidade de
governar a si próprio. Um exemplo importante de autonomia intelectual é
Copérnico que desenvolveu a teoria heliocêntrica quando todos acreditavam que o
sol girava em torno da terra. Contra todas as críticas e contra todos aqueles
que o ridicularizavam, ele foi suficientemente autônomo para permanecer
convencido da verdade de sua própria ideia.
Uma pessoa intelectualmente heterônoma, ao contrário, acredita
inquestionavelmente naquilo que lhe é dito, incluindo conclusões, slogans e propagandas ilógicas.
Outro ponto abordado no trabalho é a questão da autonomia do sujeito que,
segundo Vigotski, apoia-se em três elementos. Primeiro, a relação entre o
indivíduo e sua cultura. Cultura pensada como algo em constante processo de
recriação e reinterpretação de conceitos e significados.
Em segundo lugar a história particular de cada indivíduo. E por último, a
natureza das funções psicológicas superiores que seriam a consciência que o
homem adquire de seus comportamentos e a capacidade de controlá-los.
Na teoria de Piaget a autonomia do sujeito é enfocada a partir de dois
pontos relacionados à razão. O primeiro diz respeito à construção da razão,
fruto da abstração reflexiva, ou seja, do esforço que o sujeito faz para pensar
seu próprio pensar e agir. O segundo ponto refere-se à função da razão.
Porém, de acordo com Piaget, para que haja uma real conquista da
autonomia, o sujeito necessita usufruir das relações de cooperação. As relações
de coerção roubam das crianças a possibilidade de se emanciparem
intelectualmente.
Sob o ponto de vista walloniano a conquista da autonomia passeia entre os
limites colocados pela biologia e pela história humana, isto é, oscila entre o
"inconsciente biológico e o inconsciente social”. O sujeito
então está preso às suas estruturas biológicas e sua conjuntura histórica.
Infelizmente os alunos não são
encorajados a pensar autonomamente na escola. Os professores usam a recompensa
e a punição na esfera intelectual, também, para conseguir que deem respostas
"corretas".
Já na 1ª série, muitos alunos
aprenderam a desconfiar dos próprios pensamentos. Aqueles que são
desencorajados a pensar crítica e autonomamente construirão menos conhecimento,
com o decorrer do tempo, do que aqueles que são confiantes e realizam seus
próprios pensamentos.
Um exemplo deste processo pode ser
observado na correção de exercícios ou provas de matemática da 1ª série. Se um
aluno escreve "4 + 4 = 7", a maioria dos professores simplesmente
marca esta resposta como errada e não se dão ao trabalho de tentar descobrir
porque o aluno chegou a esse resultado e nem mesmo lhe dá a chance de explicar.
O que resulta deste tipo de postura é um número cada vez maior de
crianças incapazes de expor seus argumentos e defender seus pontos de vista.
Passeando por uma sala de aula de 1ª série (ou mesmo de séries mais avançadas),
enquanto as crianças trabalham na resolução de exercícios, se perguntarmos a
alguma delas como chegou àquela resposta, a reação dela será a de apagar o que
tenha escrito, mesmo que a resposta esteja perfeitamente correta.
Implicações educacionais
Implicações educacionais
A figura abaixo representa nossa interpretação de educação e autonomia,
em relação aos objetivos da maioria dos educadores e do público hoje. A parte
sombreada representa "os objetivos da maioria dos educadores e do
público", incluindo os objetivos não pretendidos que resultaram na
memorização de palavras, fórmulas e conceitos apenas para passar nas provas e
que foram esquecidas depois. A parte sombreada também inclui a heteronomia
moral que a escola reforça com recompensa, punição e regras prontas.
Bibliografia
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v 2, São Paulo, Atlas
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Comportamental da Administração, http://www.unimep.br/
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Paulo. Disponível em: <http:// www.psicopedagogia.com.br/artigos> Setembro 2003
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educação de adultos Psicopedagogia On line, São Paulo. Disponível
em: <http:// www.psicopedagogia.com.br/artigos> 0utubro 2003
VIGOTSKI, L.S. A formação social da
mente. São Paulo: Martins Fontes, 2000.

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