As informações transitam pelo
planeta em uma velocidade vertiginosa, de tal maneira que sua assimilação e,
principalmente, sua elaboração se tornam difíceis para uma considerável parcela
da população mundial. O tempo é cada vez
mais curto para por em prática tudo a que se propõe. Mudanças tão rápidas que
as instituições de ensino não conseguem acompanhar. Porém, apenas o acúmulo de
informações não basta. A nova ordem mundial dirige o foco das atenções para as
competências cognitivas do indivíduo, para suas capacidades de elaboração
dessas informações, de produzir conhecimento e de aprender e reaprender.
Aprendizagem e produção de
conhecimento são essenciais para a aceitação do indivíduo na sociedade atual.
No entanto, nem todos conseguem responder a essas exigências satisfatoriamente
e fracassam na escola ou na profissão. A dificuldade de aprender passa a ser um
fator que impede o desenvolvimento desses indivíduos, um obstáculo no processo
de construção do aprendente que é um ser biológico e social.
A Psicopedagogia entra em cena
tendo como objeto de trabalho o indivíduo com dificuldades de aprendizagem e
como objetivo o seu desenvolvimento e sua reestruturação como ser aprendente, a
fim de devolvê-lo à sociedade. Ela dirige ao indivíduo um olhar abrangente,
vendo-o como um ser cognoscente, um ser que aprende, pensa, sente, tem emoções,
desejos e uma história construída nas relações com outras pessoas e com o meio.
É através dessas relações, sob os aspectos afetivos, emocionais, sociais e
cognitivos, que se desenvolve o processo de aprendizagem.
O ser que não aprende sofre de
certa forma, uma desarticulação daqueles aspectos da aprendizagem. O objetivo
da Psicopedagogia é trabalhar essa desarticulação e promover uma reconstrução
do EU, devolvendo ao sujeito o desejo de aprender que, segundo Pain (1992), lhe
é inerente, mas, que por algum motivo, está escondido, para que ele possa, a
partir daí, conhecer suas dificuldades, saber lidar com elas, superá-las e
aprender.
Por ser uma atividade que trabalha
as dificuldades de aprendizagem, as quais geralmente acarretam fracasso
escolar, tem-se uma primeira impressão de que o local específico de atuação da
Psicopedagogia é unicamente a escola. A Psicopedagogia define-se pelo trabalho
com o conhecimento, sua aquisição, desenvolvimento e problemática. Surgiu pela
necessidade de compreender melhor o processo de aprendizagem do homem e tentar
resolver as eventuais dificuldades que ocorram nesse processo. O ser humano
aprende em todas as situações de vida, portanto a Psicopedagogia está presente
em todas as áreas de atuação humana.
O objeto da Psicopedagogia é o
sujeito no centro de todas as relações construídas nos diversos grupos dos
quais participa. Na Instituição não é diferente, porém, cada instituição é um
ser único, com necessidades próprias e diferenciadas. A Psicopedagogia
Institucional tem a função de identificá-las para que possa cumprir sua missão
com eficiência.
O psicopedagogo institucional
precisa ser um profissional sensível, precisa estar atento ao fato de que
aquela instituição é uma entidade formada por várias cabeças e vários corações
e que os diferentes departamentos da instituição não constituem grupos
separados, e sim órgãos desse ser maior. Para que esse ser se desenvolva
saudável é preciso que todas as cabeças estejam em sintonia, que todos os
corações batam no mesmo ritmo e, por fim, que cada órgão trabalhe em interação
com os demais.
Dentro da instituição escolar, o
objetivo da Psicopedagogia é promover diálogos entre diretores, coordenadores e
professores que levem a uma reflexão sobre o papel da escola frente às
dificuldades de aprendizagem de seus alunos, ou seja, fazê-los refletir sobre
como a escola ensina e como o aluno aprende e como todos se inter-relacionam ao
assumirem os papéis de ensinante e aprendente nas diferentes situações. Ao
desenvolver seu trabalho na instituição escolar, o psicopedagogo deve dirigir
seu olhar aos diversos sujeitos que compõe o grupo e às relações que se
estabelecem entre eles: ao sujeito ensinante-aprendente que há em cada aluno e
em cada professor, à modalidade de ensino do professor como conseqüência de sua
própria modalidade de aprendizagem, à relação particular do professor com seus
alunos e seu grupo, ao grupo real ou imaginário a que pertence o professor e,
por fim, ao sistema educativo como um todo (FERNANDEZ, 2001).
Como articulador e facilitador do
processo ensino-aprendizagem, o psicopedagogo institucional escolar não pode
esquecer que a escola, além de uma instituição de ensino, é também um local de
trabalho. Para um trabalho eficaz é preciso uma profunda observação na dinâmica
e na organização da escola: seus objetivos, espaço físico, planejamento e
desenvolvimento de atividades, plano didático, recursos materiais disponíveis e
relacionamento entre funcionários.
Um olhar diferenciado sobre a
dinâmica da instituição mostrará o que deveria permanecer velado, invisível e
mesmo indizível e permitirá ao psicopedagogo observar o que permanece
implícito: o inconsciente da instituição, seu arquétipo e sua relação com a
aprendizagem. Após a observação do explícito e constatação do implícito a intervenção
psicopedagógica, embora leve em consideração o indivíduo, não deverá ficar
centrada nele, mas nos demais elementos do grupo com os quais esse indivíduo
interage. Apesar de ter seu foco naquilo que não funciona, deverá ressaltar os
pontos positivos existentes para trabalhar a partir deles. Como dito antes,
cada instituição é única, com necessidades diferenciadas, portanto a
intervenção deve vir de encontro ao que a instituição necessita, levando em
consideração sua realidade e o momento que está sendo vivido.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FERNANDEZ. A. Os Idiomas do Aprendente.
Análise das Modalidades Ensinantes com Famílias, Escolas e Meios de
Comunicação. Porto Alegre: Artmed, 2001.
PAIN, S. Diagnóstico e Tratamento dos
Problemas de Aprendizagem. 4ª. ed. Porto Alegre: Artes Médicas,
1992. P. 21 - 26
PAROLIN, I. C. H. Dificuldades com a Aprendizagem - A Psicopedagogia
Hoje. Psicopedagogia Online, São Paulo. Disponível em: <http:// www.psicopedagogia.com.br/artigos> Acesso em: 19 de novembro de 2002
RUBINSTEIN, E. (org.). Psicopedagogia:
Uma Prática, Diferentes Estilos. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1999.
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