quinta-feira, 1 de maio de 2014

A Psicopedagogia Institucional

As informações transitam pelo planeta em uma velocidade vertiginosa, de tal maneira que sua assimilação e, principalmente, sua elaboração se tornam difíceis para uma considerável parcela da população mundial.  O tempo é cada vez mais curto para por em prática tudo a que se propõe. Mudanças tão rápidas que as instituições de ensino não conseguem acompanhar. Porém, apenas o acúmulo de informações não basta. A nova ordem mundial dirige o foco das atenções para as competências cognitivas do indivíduo, para suas capacidades de elaboração dessas informações, de produzir conhecimento e de aprender e reaprender.
Aprendizagem e produção de conhecimento são essenciais para a aceitação do indivíduo na sociedade atual. No entanto, nem todos conseguem responder a essas exigências satisfatoriamente e fracassam na escola ou na profissão. A dificuldade de aprender passa a ser um fator que impede o desenvolvimento desses indivíduos, um obstáculo no processo de construção do aprendente que é um ser biológico e social.
A Psicopedagogia entra em cena tendo como objeto de trabalho o indivíduo com dificuldades de aprendizagem e como objetivo o seu desenvolvimento e sua reestruturação como ser aprendente, a fim de devolvê-lo à sociedade. Ela dirige ao indivíduo um olhar abrangente, vendo-o como um ser cognoscente, um ser que aprende, pensa, sente, tem emoções, desejos e uma história construída nas relações com outras pessoas e com o meio. É através dessas relações, sob os aspectos afetivos, emocionais, sociais e cognitivos, que se desenvolve o processo de aprendizagem.
O ser que não aprende sofre de certa forma, uma desarticulação daqueles aspectos da aprendizagem. O objetivo da Psicopedagogia é trabalhar essa desarticulação e promover uma reconstrução do EU, devolvendo ao sujeito o desejo de aprender que, segundo Pain (1992), lhe é inerente, mas, que por algum motivo, está escondido, para que ele possa, a partir daí, conhecer suas dificuldades, saber lidar com elas, superá-las e aprender.
Por ser uma atividade que trabalha as dificuldades de aprendizagem, as quais geralmente acarretam fracasso escolar, tem-se uma primeira impressão de que o local específico de atuação da Psicopedagogia é unicamente a escola. A Psicopedagogia define-se pelo trabalho com o conhecimento, sua aquisição, desenvolvimento e problemática. Surgiu pela necessidade de compreender melhor o processo de aprendizagem do homem e tentar resolver as eventuais dificuldades que ocorram nesse processo. O ser humano aprende em todas as situações de vida, portanto a Psicopedagogia está presente em todas as áreas de atuação humana.
O objeto da Psicopedagogia é o sujeito no centro de todas as relações construídas nos diversos grupos dos quais participa. Na Instituição não é diferente, porém, cada instituição é um ser único, com necessidades próprias e diferenciadas. A Psicopedagogia Institucional tem a função de identificá-las para que possa cumprir sua missão com eficiência.
O psicopedagogo institucional precisa ser um profissional sensível, precisa estar atento ao fato de que aquela instituição é uma entidade formada por várias cabeças e vários corações e que os diferentes departamentos da instituição não constituem grupos separados, e sim órgãos desse ser maior. Para que esse ser se desenvolva saudável é preciso que todas as cabeças estejam em sintonia, que todos os corações batam no mesmo ritmo e, por fim, que cada órgão trabalhe em interação com os demais.
Dentro da instituição escolar, o objetivo da Psicopedagogia é promover diálogos entre diretores, coordenadores e professores que levem a uma reflexão sobre o papel da escola frente às dificuldades de aprendizagem de seus alunos, ou seja, fazê-los refletir sobre como a escola ensina e como o aluno aprende e como todos se inter-relacionam ao assumirem os papéis de ensinante e aprendente nas diferentes situações. Ao desenvolver seu trabalho na instituição escolar, o psicopedagogo deve dirigir seu olhar aos diversos sujeitos que compõe o grupo e às relações que se estabelecem entre eles: ao sujeito ensinante-aprendente que há em cada aluno e em cada professor, à modalidade de ensino do professor como conseqüência de sua própria modalidade de aprendizagem, à relação particular do professor com seus alunos e seu grupo, ao grupo real ou imaginário a que pertence o professor e, por fim, ao sistema educativo como um todo (FERNANDEZ, 2001).
Como articulador e facilitador do processo ensino-aprendizagem, o psicopedagogo institucional escolar não pode esquecer que a escola, além de uma instituição de ensino, é também um local de trabalho. Para um trabalho eficaz é preciso uma profunda observação na dinâmica e na organização da escola: seus objetivos, espaço físico, planejamento e desenvolvimento de atividades, plano didático, recursos materiais disponíveis e relacionamento entre funcionários.
Um olhar diferenciado sobre a dinâmica da instituição mostrará o que deveria permanecer velado, invisível e mesmo indizível e permitirá ao psicopedagogo observar o que permanece implícito: o inconsciente da instituição, seu arquétipo e sua relação com a aprendizagem. Após a observação do explícito e constatação do implícito a intervenção psicopedagógica, embora leve em consideração o indivíduo, não deverá ficar centrada nele, mas nos demais elementos do grupo com os quais esse indivíduo interage. Apesar de ter seu foco naquilo que não funciona, deverá ressaltar os pontos positivos existentes para trabalhar a partir deles. Como dito antes, cada instituição é única, com necessidades diferenciadas, portanto a intervenção deve vir de encontro ao que a instituição necessita, levando em consideração sua realidade e o momento que está sendo vivido.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FERNANDEZ. A. Os Idiomas do Aprendente. Análise das Modalidades Ensinantes com Famílias, Escolas e Meios de Comunicação. Porto Alegre: Artmed, 2001.
PAIN, S. Diagnóstico e Tratamento dos Problemas de Aprendizagem. 4ª. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992. P. 21 - 26
PAROLIN, I. C. H. Dificuldades com a Aprendizagem - A Psicopedagogia Hoje. Psicopedagogia Online, São Paulo. Disponível em: <http:// www.psicopedagogia.com.br/artigos>  Acesso em: 19 de novembro de 2002
RUBINSTEIN, E. (org.). Psicopedagogia: Uma Prática, Diferentes Estilos. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1999.

Nenhum comentário:

Postar um comentário