A aprendizagem é vital para a continuidade da sociedade. Nos
primórdios da humanidade o homem vivia em pequenos grupos nômades que
sobreviviam da caça. O crescimento dos grupos obrigou-os a se fixar e
estabelecerem sítios onde o homem teve que aprender a domesticar animais e
trabalhar a terra. A sociedade passou então pela primeira revolução - a
agrícola. Com o surgimento das grandes cidades veio a segunda revolução - a
industrial e aí a aprendizagem foi direcionada para a qualificação profissional
com fins de especializar a mão de obra nos requisitos tecnológicos da nova
ordem (EGARTER, 2003).
Essa tecnologia, cada vez mais sofisticada, exige que o
conhecimento acumulado seja transmitido cada vez mais rápido, fazendo com que o
que foi aprendido ontem seja obsoleto amanhã. Nesta situação o indivíduo
precisa estar sempre se reeducando e reaprendendo.
Segundo Fonseca (2001), o século XXI será marcado por quebras
de paradigmas, principalmente no campo da educação, que influenciarão a
economia global. Citando grandes economistas futuristas como: Toffler; Nasbitt;
Peters; Davidow e Malone, o autor analisa as mudanças na economia mundial nos
próximos anos, observando as transformações pelas quais a sociedade vem
passando através das grandes revoluções - agrícola, industrial e, atualmente,
na tecnologia da informação e conclui que essas mudanças atingirão o campo dos
negócios, passando inevitavelmente pelos recursos humanos.
“A economia dita tradicional e centralizada vai ser abalada
(o verdadeiro choque do futuro) por uma inevitável revolução tecnológica, cada
vez mais centrada na capacidade de aprender e de produzir inovação e
criatividade. A propriedade intelectual e a educabilidade cognitiva das
organizações vão igualar, senão superar, no futuro, a produção de bens de
consumo” (FONSECA, 2001, p. 15).
Vive-se a era da informação e da aprendizagem acelerada. A
qualificação profissional em si e a formação centrada apenas na mão de obra não
serão suficientes, o que se sabe hoje não garante o sucesso amanhã. A sociedade
está despertando para o fato de que as competências cognitivas do indivíduo,
sua capacidade de aprender a aprender e reaprender, ou o que Fonseca (2001)
chama de educabilidade cognitiva, são mais importantes.
A educabilidade cognitiva provocará a criação de novos postos
de trabalho e a extinção de outros e os trabalhadores que se mantiverem
passivos, repetitivos e não se adaptarem serão considerados desqualificados,
ficando fora do mercado de trabalho e marginalizados. Este é um grande desfio a
ser enfrentado pelos sistemas
educativos, incluindo os sistemas de qualificação profissional, o que exigirá
quebra de paradigmas e a mudança na forma de pensar, principalmente de
políticos (FONSECA, 2001).
Estará a Escola como instituição, preparada para essas
mudanças? A educação atual não pode passar ao largo das novas exigências da
sociedade.
Novas profissões serão criadas enquanto outras desaparecerão.
Entre as que permanecerão está a de professor. Porém, o professor, como um
trabalhador qualquer estará obrigado a acompanhar as mudanças. Ele também terá
que reaprender, sob pena de ser deixado à margem. E, mais difícil ainda, o
professor deverá ser capaz de preparar seu aluno para enfrentar os novos
desafios, ensiná-lo a pensar independentemente e agir conscientemente. Ou seja,
o professor, sendo um educador, deverá cumprir aquela função primeira da
educação, qual seja a de libertar o homem. Mas para isso ele terá que se
libertar primeiro.
Referências
EGARTER,
E. J. O Caminho do Conhecimento. Psicopedagogia On-line, São Paulo.
Disponível em: <http:// www.psicopedagogia.com.br/artigos> Acesso em: 19 de março de 2013
FONSECA, V. Aprender e Reaprender: Educabilidade
Cognitiva no século 21. Série Educação, Aprendizagem e Cognição. São Paulo:
Editora Salesiana, 2001
PAIN, S. Diagnóstico e Tratamento dos Problemas
de Aprendizagem. 4ª. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992. P. 21 - 26
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