quarta-feira, 24 de setembro de 2014

APRENDIZAGEM E EDUCAÇÃO (Parte II)

A aprendizagem é vital para a continuidade da sociedade. Nos primórdios da humanidade o homem vivia em pequenos grupos nômades que sobreviviam da caça. O crescimento dos grupos obrigou-os a se fixar e estabelecerem sítios onde o homem teve que aprender a domesticar animais e trabalhar a terra. A sociedade passou então pela primeira revolução - a agrícola. Com o surgimento das grandes cidades veio a segunda revolução - a industrial e aí a aprendizagem foi direcionada para a qualificação profissional com fins de especializar a mão de obra nos requisitos tecnológicos da nova ordem (EGARTER, 2003).
Essa tecnologia, cada vez mais sofisticada, exige que o conhecimento acumulado seja transmitido cada vez mais rápido, fazendo com que o que foi aprendido ontem seja obsoleto amanhã. Nesta situação o indivíduo precisa estar sempre se reeducando e reaprendendo.
Segundo Fonseca (2001), o século XXI será marcado por quebras de paradigmas, principalmente no campo da educação, que influenciarão a economia global. Citando grandes economistas futuristas como: Toffler; Nasbitt; Peters; Davidow e Malone, o autor analisa as mudanças na economia mundial nos próximos anos, observando as transformações pelas quais a sociedade vem passando através das grandes revoluções - agrícola, industrial e, atualmente, na tecnologia da informação e conclui que essas mudanças atingirão o campo dos negócios, passando inevitavelmente pelos recursos humanos.
“A economia dita tradicional e centralizada vai ser abalada (o verdadeiro choque do futuro) por uma inevitável revolução tecnológica, cada vez mais centrada na capacidade de aprender e de produzir inovação e criatividade. A propriedade intelectual e a educabilidade cognitiva das organizações vão igualar, senão superar, no futuro, a produção de bens de consumo” (FONSECA, 2001, p. 15).
Vive-se a era da informação e da aprendizagem acelerada. A qualificação profissional em si e a formação centrada apenas na mão de obra não serão suficientes, o que se sabe hoje não garante o sucesso amanhã. A sociedade está despertando para o fato de que as competências cognitivas do indivíduo, sua capacidade de aprender a aprender e reaprender, ou o que Fonseca (2001) chama de educabilidade cognitiva, são mais importantes.
A educabilidade cognitiva provocará a criação de novos postos de trabalho e a extinção de outros e os trabalhadores que se mantiverem passivos, repetitivos e não se adaptarem serão considerados desqualificados, ficando fora do mercado de trabalho e marginalizados. Este é um grande desfio a ser enfrentado pelos  sistemas educativos, incluindo os sistemas de qualificação profissional, o que exigirá quebra de paradigmas e a mudança na forma de pensar, principalmente de políticos (FONSECA, 2001).
Estará a Escola como instituição, preparada para essas mudanças? A educação atual não pode passar ao largo das novas exigências da sociedade.
Novas profissões serão criadas enquanto outras desaparecerão. Entre as que permanecerão está a de professor. Porém, o professor, como um trabalhador qualquer estará obrigado a acompanhar as mudanças. Ele também terá que reaprender, sob pena de ser deixado à margem. E, mais difícil ainda, o professor deverá ser capaz de preparar seu aluno para enfrentar os novos desafios, ensiná-lo a pensar independentemente e agir conscientemente. Ou seja, o professor, sendo um educador, deverá cumprir aquela função primeira da educação, qual seja a de libertar o homem. Mas para isso ele terá que se libertar primeiro.

Referências
EGARTER, E. J. O Caminho do Conhecimento. Psicopedagogia On-line, São Paulo. Disponível em: <http:// www.psicopedagogia.com.br/artigos>  Acesso em: 19 de março de 2013

FONSECA, V. Aprender e Reaprender: Educabilidade Cognitiva no século 21. Série Educação, Aprendizagem e Cognição. São Paulo: Editora Salesiana, 2001

PAIN, S. Diagnóstico e Tratamento dos Problemas de Aprendizagem. 4ª. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992. P. 21 - 26



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