quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

QUEM É ESSE SUJEITO PROFESSOR?



Considerando-se o processo de ensinar e aprender reconhece-se o professor como aquele que ensina. Porém, ensinar e aprender são duas ações que estão interligadas; não se pode pensar em uma sem considerar a outra. Quando ensina, o professor aprende e se reconstrói, se modifica, numa aprendizagem constante que se torna imprescindível para o enfrentamento dos problemas e desafios da atuação docente. À medida que o sujeito se apropria do conhecimento para recriá-lo em novas aprendizagens ele se transforma e se liberta, ampliando os próprios saberes.
Fazendo parte de um todo que é a escola, requer-se do professor uma atuação esclarecida e decidida num processo de constante avaliação e aprimoramento teórico-metodológico. Estando atento à sua própria aprendizagem, poderá ele perceber mais claramente as exigências que se colocam para uma verdadeira aprendizagem por parte de seus alunos. Aprendendo constantemente, o professor estabelece seu próprio modo de ser e de se relacionar, ao mesmo tempo em que configura a sua própria identidade profissional.
Nossa cultura ainda mantém a visão do professor apenas enquanto profissional e não o percebe como sujeito social e histórico, esquecendo que fora da instituição escolar ele possui uma história, uma vida às vezes bastante agitada e que essa história, essas agitações cotidianas influenciam suas relações em seu local de trabalho, tanto com seu grupo de colegas e os demais membros da escola, como com seus alunos.
O professor é membro de diferentes grupos e por isso está inserido em diversos contextos. Assim, sua subjetividade traz para a prática profissional uma variada gama de referências pessoais e familiares. A experiência como educador o transforma como sujeito, ao mesmo tempo em que ele transforma os que o cercam, num contínuo dar e receber.
Então, o professor assume o papel de mediador de sua própria aprendizagem. Enfrentando a diversidade de saberes de seu grupo, representativo de diferentes lugares sociais, ele toma consciência da especificidade de seus próprios conhecimentos que, por sua vez, passam por um processo de reconstrução. Frente ao outro, através da livre expressão, o professor se reconhece como autor e como sujeito aprendente para se constituir como sujeito ensinante.
Os sujeitos aprendentes são sujeitos históricos, com desejos, imaginação, fantasias, sensibilidades, movimento, vida, enfim. Pergunta-se então que sujeito é esse professor? Que manifestações ele expressa? Que aspecto da vida ele coloca naquilo que pratica? Se não pode expressar-se livremente, será capaz de aprender sempre? E, sem a aprendizagem constante, será capaz de realmente ensinar?
Para facilitar aos seus alunos uma conexão com seu lado ensinante, o professor, precisa, antes de tudo, que ele mesmo esteja conectado à sua porção aprendente.
A realidade tem mostrado, contudo, que essas conexões raramente ocorrem. Isso porque, ainda hoje, a maioria dos professores se coloca como meros repassadores de informação, sendo o aluno considerado um mero receptor de conteúdos.
As diversas instituições de ensino, de todos os níveis, deixam de lado um fator primordial no contexto de ensinar e aprender que é a subjetividade, tanto de alunos como de professores, como instrumento transformador do conhecimento.
Indivíduos submissos, sem iniciativa e que apenas repetem o modelo que lhes é apresentado, configuram o ideal de aluno nas escolas desde a educação infantil até as universidades.
A impressão que fica é a de que alunos, professores, formadores e instituições de ensino estão presos em um círculo vicioso de acomodação. No entanto, é possível ver uma luz no fim do túnel. Existirão sempre aqueles alunos considerados ideais pelas escolas ou, o que podemos chamar de repetidores exitosos. Porém, há também alunos e professores criativos que, embora repitam o modelo esperado, mantêm a criticidade necessária para diferenciar o que querem que repitam daquilo que eles realmente pensam.
A nova ordem mundial coloca os professores frente a um grande desafio: quebrarem aquele círculo vicioso ou se perderem na multidão dos que ficam para trás repetindo modelos cada vez mais obsoletos e ultrapassados.

O que se espera, ou o que as reformas exigirão do profissional da educação é que ele saiba refletir sobre sua posição de ensinante que mantém a posição de aprendente. Um profissional que, comprometido com seu fazer, não se descompromete com seu saber deixando-o estagnar-se. Antes o amplia e o aprofunda e não se contenta com que recebeu nos cursos de formação indo além e mais fundo, em benefício de seu aluno e de si mesmo.

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