Considerando-se
o processo de ensinar e aprender reconhece-se o professor como aquele que
ensina. Porém, ensinar e aprender são duas ações que estão interligadas; não se
pode pensar em uma sem considerar a outra. Quando ensina, o professor aprende e
se reconstrói, se modifica, numa aprendizagem constante que se torna
imprescindível para o enfrentamento dos problemas e desafios da atuação
docente. À medida que o sujeito se apropria do conhecimento para recriá-lo em
novas aprendizagens ele se transforma e se liberta, ampliando os próprios
saberes.
Fazendo parte de
um todo que é a escola, requer-se do professor uma atuação esclarecida e
decidida num processo de constante avaliação e aprimoramento teórico-metodológico.
Estando atento à sua própria aprendizagem, poderá ele perceber mais claramente
as exigências que se colocam para uma verdadeira aprendizagem por parte de seus
alunos. Aprendendo constantemente, o professor estabelece seu próprio modo de ser
e de se relacionar, ao mesmo tempo em que configura a sua própria identidade
profissional.
Nossa cultura ainda
mantém a visão do professor apenas enquanto profissional e não o percebe como sujeito
social e histórico, esquecendo que fora da instituição escolar ele possui uma
história, uma vida às vezes bastante agitada e que essa história, essas
agitações cotidianas influenciam suas relações em seu local de trabalho, tanto
com seu grupo de colegas e os demais membros da escola, como com seus alunos.
O professor é
membro de diferentes grupos e por isso está inserido em diversos contextos.
Assim, sua subjetividade traz para a prática profissional uma variada gama de
referências pessoais e familiares. A experiência como educador o transforma
como sujeito, ao mesmo tempo em que ele transforma os que o cercam, num
contínuo dar e receber.
Então, o
professor assume o papel de mediador de sua própria aprendizagem. Enfrentando a
diversidade de saberes de seu grupo, representativo de diferentes lugares
sociais, ele toma consciência da especificidade de seus próprios conhecimentos
que, por sua vez, passam por um processo de reconstrução. Frente ao outro,
através da livre expressão, o professor se reconhece como autor e como sujeito
aprendente para se constituir como sujeito ensinante.
Os sujeitos
aprendentes são sujeitos históricos, com desejos, imaginação, fantasias,
sensibilidades, movimento, vida, enfim. Pergunta-se então que sujeito é esse
professor? Que manifestações ele expressa? Que aspecto da vida ele coloca
naquilo que pratica? Se não pode expressar-se livremente, será capaz de
aprender sempre? E, sem a aprendizagem constante, será capaz de realmente
ensinar?
Para facilitar
aos seus alunos uma conexão com seu lado ensinante, o professor, precisa, antes
de tudo, que ele mesmo esteja conectado à sua porção aprendente.
A realidade tem
mostrado, contudo, que essas conexões raramente ocorrem. Isso porque, ainda
hoje, a maioria dos professores se coloca como meros repassadores de informação,
sendo o aluno considerado um mero receptor de conteúdos.
As diversas
instituições de ensino, de todos os níveis, deixam de lado um fator primordial
no contexto de ensinar e aprender que é a subjetividade, tanto de alunos como
de professores, como instrumento transformador do conhecimento.
Indivíduos
submissos, sem iniciativa e que apenas repetem o modelo que lhes é apresentado,
configuram o ideal de aluno nas escolas desde a educação infantil até as
universidades.
A impressão que
fica é a de que alunos, professores, formadores e instituições de ensino estão
presos em um círculo vicioso de acomodação. No entanto, é possível ver uma luz
no fim do túnel. Existirão sempre aqueles alunos considerados ideais pelas
escolas ou, o que podemos chamar de repetidores exitosos. Porém, há também
alunos e professores criativos que, embora repitam o modelo esperado, mantêm a
criticidade necessária para diferenciar o que querem que repitam daquilo que
eles realmente pensam.
A nova ordem
mundial coloca os professores frente a um grande desafio: quebrarem aquele
círculo vicioso ou se perderem na multidão dos que ficam para trás repetindo
modelos cada vez mais obsoletos e ultrapassados.
O que se espera,
ou o que as reformas exigirão do profissional da educação é que ele saiba
refletir sobre sua posição de ensinante que mantém a posição de aprendente. Um
profissional que, comprometido com seu fazer, não se descompromete com seu
saber deixando-o estagnar-se. Antes o amplia e o aprofunda e não se contenta
com que recebeu nos cursos de formação indo além e mais fundo, em benefício de
seu aluno e de si mesmo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário